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Bella maniera

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Bronzino, Alegoria com Vénus e Cupido , c. 1545 Sob a égide da liberdade e independência na arte, o maneirismo e o modernismo caracterizaram-se pela ruptura com os cânones naturalistas vigentes. Separados por 400 anos - o maneirismo atravessando grande parte do séc. XVI e o modernismo ocupando o fim do séc. XIX e o princípio do séc. XX - encontramos em ambos os períodos artísticos um novo pensamento estético que procurava expressar-se contra os sistemas ordenados e regularizados que os precediam. No livro "O Maneirismo e o Estatuto Social dos Pintores Portugueses" (INCM, 1983), Vítor Serrão resume as semelhanças entre os dois momentos apontando a partilha de "um quadro ideológico e cultural informado por dúvidas indissolúveis, por uma angústia existencial, pela agitada tensão e a extrema ambiguidade dos tempos vividos, que se afirma em situações concretas da realidade contemporânea em tempo de crise". Por este motivo se torna interessante notar que a força do de...

Uma súbita incompreensão

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A Alambique e a Letra Livre trouxeram de novo Frantz Fanon (1925-1961), psiquiatra, revolucionário e "homem que interroga"*, para o circuito editorial português. A primeira com o documentário "A Respeito da Violência" de Göran Olsson e a segunda com o livro "Os Condenados da Terra" cuja tradução (revista) é a que António Massano fez para a Ulmeiro nos anos 80. Inocência Mata assina o prefácio desta nova edição e o "Testemunho de um militante angolano" prestado por Mário Pinto de Andrade serve de epílogo. Sartre escreveu o prefácio para o original de 1961, o qual viria a ganhar enorme popularidade e autonomia. Seis anos depois, perante o apoio do filósofo francês ao sionismo, seria oficialmente desassociado do livro por ordem da mulher de Fanon. Nesse seu texto interpelativo, não só encontramos a apologia do pensamento de Fanon como também da violência: "Talvez, então, encurralados contra a parede, desenfreareis por fim essa violência nov...